Dra. Bárbara NeryNutricionista · Nutrição e Performance EsportivaAgendar consulta
Emagrecimento

Quanta proteína por dia para emagrecer sem perder músculo?

Entenda por que a proteína pesa mais no emagrecimento, o que dizem os estudos, como distribuí-la nas refeições e em que casos o suplemento faz sentido.

Equipe editorial · Bárbara Nery
· atualizado em · 6 min de leitura

Ovos de casca marrom e azul-clara sobre um pano cinza.
Foto: Rachael Gorjestani.

No emagrecimento, a proteína ajuda a preservar a massa muscular e aumenta a saciedade. Para quem treina, os estudos apontam uma faixa de 1,4 a 2,0 g por quilo de peso por dia, mas a quantidade ideal depende do peso, do treino e da saúde de cada pessoa. Distribuir a proteína ao longo do dia funciona melhor do que concentrar tudo numa refeição.

Quando a alimentação é reduzida para emagrecer, o corpo pode usar músculo como fonte de energia. A proteína, junto com o treino de força, é o principal recurso para evitar isso, segundo a revisão de Cava e colegas, publicada em 2017.

Por que a proteína pesa mais no emagrecimento

  • Preserva músculo. A revisão de Cava e colegas mostra que uma ingestão alta de proteína ajuda a preservar a massa magra durante a perda de peso. Os autores recomendam proteína adequada, sem exagero, junto com exercício, principalmente de força.
  • Dá saciedade. Refeições com proteína costumam sustentar por mais tempo.
  • Gasta mais energia para ser digerida. O corpo usa mais energia para processar proteína do que carboidrato ou gordura.

O que dizem os estudos

Referência Quanto
ISSN, 2017, pessoas que treinam 1,4 a 2,0 g/kg/dia
ISSN, 2017, pessoas treinadas em restrição calórica Valores mais altos podem ajudar a preservar massa magra
ISSN, 2017, por refeição 20 a 40 g, a cada 3 a 4 horas
Morton et al., 2018, ganho de massa com treino de força Benefício adicional some acima de cerca de 1,6 g/kg/dia

Isso é uma referência de pesquisa, não uma prescrição. Idade, função dos rins, tipo de treino e o restante da alimentação mudam o cálculo.

Exemplo de conta

Peso 1,4 g/kg 1,6 g/kg 2,0 g/kg
60 kg 84 g 96 g 120 g
70 kg 98 g 112 g 140 g
80 kg 112 g 128 g 160 g

A tabela só mostra como a conta funciona. Em pessoas com obesidade, usar o peso atual pode superestimar a necessidade, e a referência é ajustada na consulta.

Quanto tem nos alimentos

Alimento Porção aproximada Proteína aproximada
Ovo 1 unidade grande 6 g
Peito de frango cozido 100 g 30 g
Carne bovina magra cozida 100 g 25 a 30 g
Peixe cozido 100 g 20 a 25 g
Iogurte natural 1 pote de 170 g 6 a 8 g
Queijo minas 30 g 5 g
Feijão cozido 1 concha 5 g
Leite 200 ml 6 g

Valores aproximados, que variam com a marca e o preparo.

Como distribuir

Mais do que o total do dia, ajuda ter uma boa fonte de proteína em cada refeição.

Exemplo de dia com cerca de 100 g de proteína

Refeição Exemplo Proteína aproximada
Café da manhã 2 ovos mexidos, pão e fruta 15 g
Lanche Iogurte natural com aveia 10 g
Almoço Arroz, feijão, 120 g de frango e salada 40 a 45 g
Lanche Leite com uma fatia de queijo 11 g
Jantar Omelete de 2 ovos com legumes e batata 15 g

É um exemplo para mostrar a distribuição. A sua necessidade pode ser maior ou menor.

Proteína que cabe no orçamento

Atingir a proteína do dia não exige produtos caros. Algumas opções com bom custo no Brasil:

  • Ovos, que rendem várias refeições e ficam prontos em minutos.
  • Frango, especialmente coxa e sobrecoxa sem pele, além do peito.
  • Sardinha e atum em lata, práticos para o jantar e para a marmita.
  • Feijão, lentilha e grão-de-bico, que somam proteína e fibras.
  • Leite e iogurte natural, para os lanches.

Comprar em maior quantidade, cozinhar no fim de semana e congelar em porções ajuda a manter a proteína nas refeições sem pesar no bolso.

E o suplemento?

Whey e outras proteínas em pó são práticos, mas não obrigatórios. O posicionamento da ISSN reconhece que é possível atingir a proteína do dia com alimentos, e que o suplemento é uma forma prática de complementar. Fazem sentido quando o apetite está baixo, como no uso de canetas emagrecedoras, ou quando a rotina dificulta comer proteína suficiente. O Guia Alimentar para a População Brasileira lembra que a base deve ser comida de verdade.

Erros comuns

  • Tomar um shake de proteína e esquecer o resto das refeições.
  • Concentrar toda a proteína no almoço e no jantar.
  • Usar a conta de outra pessoa ou de um aplicativo genérico.
  • Aumentar muito a proteína sem beber água e sem cuidar das fibras.
  • Esquecer que feijão e lentilha também contam.

Mitos e verdades

“Proteína engorda menos, então posso comer à vontade.” Mito. Proteína também tem energia e entra no total do dia.

“Quanto mais proteína, mais músculo.” Mito. Acima de certa quantidade, o benefício extra desaparece.

“Proteína sem treino de força preserva menos músculo.” Verdade. Os dois funcionam juntos.

Quando procurar o médico

Quem tem doença nos rins, diabetes com alteração renal, doença no fígado ou gota deve conversar com o médico antes de aumentar a proteína. Exames de função renal ajudam a definir a quantidade segura.

Como o acompanhamento individual ajuda

Na consulta, a proteína é calculada para você, com base no peso, nos exames, no treino e na rotina, e distribuída em refeições que você gosta de comer. Leia como emagrecer sem perder massa muscular e creatina e whey: qual a diferença. Baixe o e-book gratuito Emagrecer sem perder músculo e conheça o cuidado no emagrecimento e o atendimento.

Fontes e leitura complementar

Conteúdo educativo elaborado com referências públicas. Recomendações para a sua saúde dependem de avaliação individual.

Perguntas sobre este tema

Existe uma quantidade de proteína igual para todo mundo?

Não. A necessidade varia com peso, idade, nível de treino, saúde dos rins e objetivo. O cálculo é feito de forma individual na consulta.

Comer muita proteína faz mal?

Para pessoas saudáveis, quantidades adequadas são seguras. Quem tem doença renal ou outras condições precisa de avaliação antes de aumentar a proteína.

Proteína vegetal conta?

Conta. Feijão, lentilha, grão-de-bico, soja e tofu entram no total do dia. Combinar fontes vegetais, como o arroz com feijão, melhora a qualidade da proteína.

O cálculo usa o peso atual ou o peso desejado?

Depende do caso. Em pessoas com obesidade, o cálculo pelo peso atual pode superestimar a necessidade, e a nutricionista ajusta a referência na avaliação.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta individual com nutricionista e médico.

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