Dra. Bárbara NeryNutricionista · Nutrição e Performance EsportivaAgendar consulta
Nutrição esportiva e corrida

Alimentação para ganhar massa muscular: por onde começar

Começou a musculação? Entenda o papel da proteína, da energia e da rotina no ganho de massa muscular, com cardápio de exemplo e erros comuns.

Equipe editorial · Bárbara Nery
· atualizado em · 6 min de leitura

Homem de regata preta realizando um exercício com halter na academia.
Foto: Luke Witter.

A alimentação para ganhar massa muscular precisa acompanhar o treino de força e as necessidades individuais. A quantidade de proteína importa, mas também é preciso olhar para a energia total das refeições, para o sono e para a rotina que permite manter tudo isso.

Quem começa a musculação costuma receber muitos conselhos: aumentar o frango, comprar um suplemento, cortar o arroz. Antes de seguir todos ao mesmo tempo, vale esclarecer o objetivo e entender o que já acontece no dia a dia.

Este guia conversa com homens e mulheres que querem organizar esse começo. Não há um único cardápio que sirva para todos.

Ganhar músculo e preservar músculo são objetivos diferentes

Algumas pessoas querem aumentar a massa muscular. Outras estão em processo de emagrecimento e precisam cuidar da massa que já têm. As estratégias mudam com esse contexto, com a experiência de treino e com a saúde.

Na consulta, explique o objetivo com suas palavras. “Quero ter mais força nas atividades do dia” e “quero me preparar para um esporte” oferecem informações que uma meta de peso isolada não traz. Para o segundo contexto, há um texto específico sobre preservar massa muscular durante o emagrecimento.

O que diz a ciência sobre proteína

Uma revisão com meta-análise publicada em 2018 reuniu 49 estudos e 1.863 participantes que fizeram treino de força por pelo menos seis semanas. A suplementação de proteína aumentou o ganho de massa magra e de força, mas o efeito médio foi modesto: cerca de 0,3 kg a mais de massa magra. A partir de uma ingestão total de cerca de 1,6 g de proteína por quilo de peso por dia, não houve benefício adicional.

O posicionamento da Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva (ISSN), de 2017, cita uma faixa de 1,4 a 2,0 g por quilo por dia para a maioria das pessoas que treinam. Também sugere de 20 a 40 g de proteína por refeição, distribuídas a cada 3 a 4 horas.

Referência O que diz
Morton et al., 2018 Benefício adicional some acima de cerca de 1,6 g/kg/dia
ISSN, 2017 1,4 a 2,0 g/kg/dia; 20 a 40 g por refeição
ACSM, 2016 1,2 a 2,0 g/kg/dia para atletas, conforme o treino

Para uma pessoa de 70 kg, 1,6 g/kg dá cerca de 112 g de proteína por dia. É um exemplo de conta. A sua quantidade depende de idade, treino, saúde dos rins e do restante da alimentação, e é definida na consulta.

Energia também conta

Construir músculo gasta energia. Quem come pouco no total, mesmo com bastante proteína, tende a ter mais dificuldade para progredir. Por outro lado, comer muito além do necessário aumenta mais a gordura do que o músculo.

Carboidratos ajudam a fornecer energia para o treino. Cortá-los ao iniciar a academia pode deixar o treino mais pesado e a recuperação mais lenta. Arroz, pão, aveia, batata, mandioca e frutas podem fazer parte do planejamento. As quantidades não são iguais para todo mundo.

Quantas refeições por dia?

Não existe um número mágico. O que pesa é o total de energia e de proteína do dia e se a rotina permite mantê-lo. Para muita gente, dividir a comida em 4 ou 5 refeições, cada uma com uma boa fonte de proteína, fica mais fácil do que comer muito de uma vez.

Exemplo de dia para quem treina no fim da tarde

Refeição Exemplo
Café da manhã Pão com dois ovos mexidos, fruta e café com leite
Almoço Arroz, feijão, bife ou frango, salada e legumes
Lanche antes do treino Iogurte com banana e aveia, ou sanduíche de queijo
Jantar Macarrão com carne moída ou omelete com batata e salada
Ceia, se houver fome Leite, iogurte ou queijo

É só uma referência para mostrar a estrutura, com proteína espalhada no dia. Quem treina cedo ou tem pouco tempo pode precisar de outro arranjo.

Fontes de proteína para a lista de compras

  • Animais: ovos, frango, carne bovina magra, peixes, sardinha e atum em lata.
  • Laticínios: leite, iogurte natural, queijo minas, ricota.
  • Vegetais: feijão, lentilha, grão-de-bico, soja, tofu, amendoim.

Ovos, frango, sardinha e feijão costumam ter bom custo para o orçamento brasileiro.

Erros comuns

  • Cortar o carboidrato ao começar a treinar.
  • Concentrar quase toda a proteína no almoço e no jantar.
  • Comprar vários suplementos antes de ajustar a comida.
  • Dormir pouco e esperar recuperação completa.
  • Avaliar o progresso só pela balança.

Mitos e verdades

“Quanto mais proteína, mais músculo.” Mito. Acima de certa quantidade, o ganho extra não aparece nos estudos.

“Tem uma janela de 30 minutos depois do treino.” Exagero. O posicionamento da ISSN sobre horário dos nutrientes indica que o total do dia pesa mais, e que o efeito do treino dura horas.

“Sono influencia o resultado do treino.” Verdade. Dormir mal atrapalha a recuperação e o rendimento.

Um roteiro para quem sai do trabalho e vai treinar

Em vez de escolher um suplemento primeiro, organize estas informações:

  1. Horário possível de almoço. Anote o horário habitual e o que muda nos dias de reunião.
  2. Acesso a comida. Há geladeira, mercado ou restaurante por perto?
  3. Experiência no treino. Registre fome, desconforto digestivo ou falta de energia.
  4. Volta para casa. O jantar já está disponível ou ainda exige compra e preparo?
  5. Viabilidade. Quanto tempo e dinheiro você consegue dedicar a essa organização?

O artigo sobre marmita, almoço fora e treino ajuda a pensar nessa logística.

O que acompanhar além da balança

Leve para os retornos o que conseguiu manter, as dificuldades com as refeições e como o treino está evoluindo. Carga nos exercícios, medidas e, quando possível, avaliação da composição corporal mostram melhor o que acontece. O peso sozinho não mostra quanto músculo foi ganho.

Quando procurar o médico

Quem tem doença nos rins, diabetes, pressão alta ou usa medicamentos de uso contínuo deve conversar com o médico antes de aumentar muito a proteína ou começar suplementos. Dor no peito, falta de ar ou tontura durante o treino também pedem avaliação médica.

Como o acompanhamento individual ajuda

A nutricionista calcula proteína e energia para o seu objetivo, distribui as refeições conforme o horário do treino e avalia se algum suplemento faz sentido. O profissional de educação física cuida do treino. Se você está em dúvida sobre produtos, leia a diferença entre creatina e whey. Para um plano individual, conheça a nutrição esportiva e o atendimento.

Fontes e leitura complementar

Conteúdo educativo elaborado com referências públicas. Recomendações para a sua saúde dependem de avaliação individual.

Perguntas sobre este tema

Quantas refeições por dia para ganhar massa muscular?

Não existe um número fixo. Para muita gente, de 4 a 5 refeições, cada uma com uma boa fonte de proteína, facilitam atingir o que o corpo precisa. O número certo é o que cabe na sua rotina e no seu treino.

Preciso de whey para ganhar massa muscular?

Whey não é obrigatório. A necessidade de complementar proteína depende do que você já come, das suas necessidades e da praticidade. O plano pode incluir alimentos comuns, com ou sem suplemento.

Basta comer mais proteína para ganhar músculo?

Não. O ganho muscular depende também do estímulo do treino, da energia total da alimentação e da recuperação. Aumentar proteína sem avaliar o restante da rotina não resolve todas essas necessidades.

Posso copiar a dieta de um colega da academia?

Não é uma boa referência para definir quantidades. Mesmo pessoas com peso parecido podem ter treinos, necessidades, condições de saúde e horários diferentes.

Preciso comer logo depois do treino?

Não precisa sair correndo da academia. O efeito do treino sobre o músculo dura horas, e o mais importante é ter uma refeição com proteína num intervalo que caiba na sua rotina.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta individual com nutricionista e médico.

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