O que comer antes e depois da corrida
Carboidrato antes, proteína e reposição depois: veja como montar as refeições em torno do treino de corrida, do treino leve ao longão.
Equipe editorial · Bárbara Nery
· atualizado em · 6 min de leitura

Antes de correr, priorize carboidrato de fácil digestão, em quantidade proporcional à duração do treino. Depois, combine carboidrato e proteína para recuperar e reponha os líquidos. O ajuste fino depende do seu treino, do seu objetivo e de como seu intestino reage.
Comer antes ou não? E o quê? É uma das dúvidas mais comuns entre corredores. O posicionamento conjunto do Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM) e de associações de nutricionistas dos Estados Unidos e do Canadá, de 2016, é a principal referência para responder.
O que diz a ciência
O carboidrato é o combustível principal da corrida, principalmente em ritmo mais forte. O corpo guarda esse combustível como glicogênio, nos músculos e no fígado, e o estoque é limitado. Por isso a quantidade de carboidrato acompanha a duração e a intensidade do treino.
| Momento | Referência do ACSM para atletas |
|---|---|
| De 1 a 4 horas antes | 1 a 4 g de carboidrato por quilo de peso |
| Durante, esforço de 1 a 2,5 horas | 30 a 60 g de carboidrato por hora |
| Depois, quando a recuperação precisa ser rápida | 1,0 a 1,2 g de carboidrato por quilo por hora, nas primeiras 4 horas |
| Proteína depois do treino | Cerca de 0,3 g por quilo de peso |
São faixas de pesquisa, pensadas para atletas e treinos intensos. Para quem corre 30 minutos três vezes por semana, uma alimentação equilibrada costuma bastar. O ajuste é individual.
Antes do treino
A refeição antes do treino deve ser fácil de digerir e com pouca gordura e fibra, para não pesar.
- De 2 a 3 horas antes: uma refeição completa, como arroz, frango e legumes cozidos, ou pão com ovos e uma fruta.
- De 30 a 60 minutos antes: algo leve, como banana, pão com mel ou uma tapioca pequena.
Para treinos curtos e leves, muitas pessoas se sentem bem só com um lanche pequeno.
Exemplos por tipo de treino
| Treino | Antes | Depois |
|---|---|---|
| Rodagem leve de 30 a 40 minutos | Banana ou nada, se o treino é cedo e você se sente bem | Café da manhã normal, com proteína |
| Intervalado ou tiro | Pão com mel ou tapioca, de 1 a 2 horas antes | Iogurte com fruta e aveia ou sanduíche de frango |
| Longão acima de 1 hora | Refeição com carboidrato de 2 a 3 horas antes e reposição testada durante | Refeição completa com arroz, feijão, carne e legumes |
Durante
Em corridas de até uma hora, normalmente água basta. Em treinos mais longos, entra a reposição de carboidrato, com gel, bebida esportiva ou alimentos como banana e uva-passa. Tudo isso precisa ser testado nos treinos para saber o que o seu estômago aceita.
O intestino também se adapta. Treinar a estratégia da prova nos longões ajuda a tolerar melhor a reposição no dia.
Depois do treino
A recuperação envolve três coisas: repor o carboidrato usado, oferecer proteína para o músculo e repor os líquidos perdidos no suor. Uma refeição com arroz, feijão, carne e salada resolve. Se a próxima refeição vai demorar, um lanche como iogurte com fruta ou um sanduíche com queijo ajuda.
A posição da Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva (ISSN) sobre o horário dos nutrientes reforça que o total do dia continua sendo o mais importante. A distribuição em torno do treino ajuda a recuperar melhor, principalmente quando há outro treino em menos de um dia. Para a proteína, a mesma sociedade sugere de 20 a 40 g por refeição, distribuídas ao longo do dia.
Hidratação
Chegar hidratado ao treino é tão importante quanto beber durante. O posicionamento do ACSM sobre líquidos recomenda evitar perder mais de 2% do peso corporal em água durante o exercício. Como a taxa de suor varia muito, a orientação é individual.
Um teste simples: pese-se antes e depois de um treino, sem roupa molhada. Cada quilo a menos corresponde a cerca de um litro de suor não reposto. Observe também a cor da urina e a sede. Em dias quentes e treinos longos, a reposição de sódio pode ser necessária.
Erros comuns
- Correr longões em jejum sem ter treinado assim e sentir tontura.
- Comer uma refeição pesada, com fritura, pouco antes de sair.
- Pular a refeição depois do treino para “aproveitar o gasto”.
- Usar gel em todo treino curto sem necessidade.
- Beber pouco ao longo do dia e muito só na hora do treino.
Mitos e verdades
“Correr em jejum queima mais gordura e emagrece mais.” Mito como regra. O que define o emagrecimento é o balanço do dia, e não o horário da última refeição.
“Carboidrato antes do treino atrapalha quem quer emagrecer.” Mito. Ele melhora o rendimento, e a quantidade cabe no plano do dia.
“O que funciona para um corredor pode não funcionar para outro.” Verdade. Tolerância intestinal e rotina variam muito.
Sinais de alerta
Tontura, desmaio, dor no peito, palpitação ou falta de ar fora do comum durante a corrida pedem avaliação médica antes de voltar a treinar. Cansaço persistente, queda de rendimento sem explicação e, nas mulheres, alterações no ciclo menstrual também merecem investigação, porque podem indicar que a alimentação não está acompanhando o treino.
Como o acompanhamento individual ajuda
Cada corredor tem um ritmo, um volume de treino e uma tolerância intestinal diferente. Na consulta, a nutricionista transforma as faixas de pesquisa em um plano para a sua rotina e para o seu objetivo, seja desempenho, saúde ou emagrecimento. Se você tem uma prova pela frente, leia também como se alimentar na véspera e no dia da prova. Se treina depois do trabalho, veja marmita, almoço fora e treino. Conheça a página de nutrição esportiva e o atendimento.
Série Copa Bigmais
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Fontes e leitura complementar
- Thomas, Erdman e Burke (2016): Nutrition and Athletic Performance, posicionamento ACSM, Academy e Dietitians of Canada
- Kerksick et al. (2017): ISSN position stand, nutrient timing
- Sawka et al. (2007): ACSM position stand, exercise and fluid replacement
- Jäger et al. (2017): ISSN position stand, protein and exercise
Conteúdo educativo elaborado com referências públicas. Recomendações para a sua saúde dependem de avaliação individual.




